cheia

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me olhei no lago da lua
e me vi refletida
cheia
estanquei o sangue que ali lavava
mês a mês
dispenso o que me fere
o que não passa da superfície
pois gota a gota
preencho minhas lacunas
e o que vem ao encontro, é transbordar
vivências em abundância
estou cheia até a boca.
~
de palavras férteis, fartas
tenho me nutrido
habito um novo mundo
onde no espelho me admiro e acordo sonhos profundos
no leito em que produzo
leite & mel 

fio de contas

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foto: Anderson Mendonça

miro minhas mãos abertas tentando discernir

quais linhas me contam, e em quais me conto

tento me atentar à labuta diária de separar o joio do trigo

(ao mesmo tempo que rego ervas daninhas…

tão bonitinhas algumas…)

enfio as unhas entre as miçanguinhas do cordão

no pescoço

fazendo ritmo

/mania nos gestos/

conto as horas

cato o feijão

tento separar o que vejo, do que reflito

diante do espelho

do que me perscruto, inspeciono

olhares outros…

)preciso criar o entre para me perceber(

o que é minha língua entre tantas con-

fusões?

gasto saliva em versos no idioma que invento

{quem me decifra?}

§

busco o fio perdido

sinais

vestígios, referências

históricas

que falem sobre nós

não por nós

amarras, armadilhas

espero plantada mud’anças

movimentos dispersos

em direção ao sol

§

em exercícios matinais

me liberto minúcia a minúcia do que me cerca

{o que mora nos detalhes}

 

me aparto

 

… cravar limites sem me partir ao meio

resgatar semente sem machucar

muito

a pele.