extremidades

Foto: Luís Bahú

Foto: Luís Bahú

o corpo sobre a pedra
o corpo de pedra
que vira areia
com as pancadas da maré cheia

o corpo sob o sol
o corpo de sol
escorre/escama/sereia
com pitadas de sal de mão cheia

desenho na pedra primitiva
(cavernosa e côncava)
cada estrato
de minha ancestral essência
busco da língua o substrato
traduzir o gosto
lamber a orla

abro a boca
escura e estrelada
na garganta afogo e naufrago maus agouros
canto pra me serenar

feito esteira
me estendo em extensão inteira
cor de areia
alcanço o cóccix

resíduo que resiste
odor de mar

primeira carta marítima

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– segura as pontas…

soprou-se do outro lado
e assim
compartilhamos do mesmo nome
e inventamos novos nomes
pra todas as coisas

tramando diariamente

anoitecidas
jogamos nossa rede

estendemos o tecido
e
mar
anhado
lentamente com gestos e x t e n s o s

nos cabelos enrolamos
o pescoço enlaçamos

e nos desfiamos
em
cada
palavra
que vira linha
ao puxar a rede.