Sob a noite calada

Não disse palavra

Tinha a face mergulhada em silêncio

Segurava a respiração

(Como se prendesse o tempo em seu pulmão)

Pra que nenhum ruído

Arranhe o rosto em pausa

(Onde dentro tudo revira)

Acorde a língua que dorme desmaiada

(Mas sonha gritos de cem mil palavras)

Suspensa

pende sobre si mesma

um oceano

noturno

guardando o sono da palavra calada

a lua na língua

trancada na boca, dissolvendo como hóstia

na calada da noite