pacto

Fiz um pacto poético com regina
já que é a poesia que nos rege
beberei seu sangue
porque “tem sangue eterno a asa ritmada”
e o sangue de suas palavras flui intenso até virar vazante
desembocam
desbocadas
na correnteza de meu sangue
ela, por sua vez
irá engolir um poema meu, costurar a boca
e jogar minhas metáforas na corrente do rio nilo
até que brotem flores em seu deserto adentro

a encontrei no extremo norte
de meu mapa astral
habitando o mesmo espaço que minha lua, lá está ela
no Meio do Céu
bem no meio
onde se inscreve o peixe
que articula nossa espinha