“Em travessia com Carina Castro”, prefácio de “Caravana” por Nina Rizzi

e esse desejo tão puro de uma delicadeza terrível/ um silêncio que se abra no poema. – “PREFÁCIO”, Nina Rizzi, in.: A duração do deserto

…em travessia com Nina Rizzi

Um dos grandes prazeres de publicar um livro foi ganhar este escrito, que é um presente muito especial, vindo dessa mulher que admiro imensamente como artista, mulher e amiga. Inclusive este encontro nosso foi muito bonito e importante para mim, pois me deparei com a poesia de Nina Rizzi quando estava num momento de desilusão poética, onde não via nada de novo dentro do novo, nada que me excitasse (a também escrever) e o contato com seu olhar como que fez surgir um oásis de inspiração e esperança em mim, e insisti na poesia, que passei a ver com outros olhos. Assim como ela viu em minha poesia algo que nem eu tinha visto, e contribuiu imensamente pra minha confiança nos passos como escritora, fez com que acreditasse na minha poesia, que sou eu, logo, acreditar em mim. Pra ela dedico meu amor e poesia.

E também descobri através de um dos projetos de arte de Nina, a Revista Ellenismos, outro/as poetas brilhantes e inspiradore/as.

Passamos por muita vida e processos profundos, nossas poesias se encontram, na estiagem e na umidade que há em nós, e atravessamo-nos uma a outra enquanto trilhamos o silêncio e as vozes de nosso próprio adentro.

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Lenda da vitória-régia

grávida de luar
escorria para fora de casa
me sentia caudalosa e úmida

no lago eu via quatro gestações
e crescia dentro de mim o luar

meus cabelos constantamente mangue
escorriam sobre meu corpo

sempre orvalhado

e me sentia rio
em luar mergulhara
e renascia flor

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Ilustração: Deborah Erê                                                                                          [crayon, pastel oleoso, nanquim & colagem sobre papel]

abertura

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O silêncio se retira com o pedido dos pássaros

Ainda há orvalho sobre os olhos que sonham

A cidade está distante deste chão coberto por tapetes e poeira

que ainda não pisaram neste dia

Espera-se o quanto pode pelo aroma do café

Se esquece o que foi noite corpo adentro.