Comboio sinestésico

Vídeo-poema:

Poema e realização: Carina Castro

Viola: Wilson Cabral

Película: Noites de Circo, Ingmar Bergman

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Cara nova, coisas novas

TUDO É COISA está de cara nova! Desfrutem com gosto dessas criações que aqui estão e estarão. Aproveito para balancear o ano que passou e me trouxe coisas tão importantes, como a minha inauguração como poeta pública através deste espaço, e mais outras que vieram depois, e agradecer tantos amigos queridos que estiveram comigo e vieram, e saibam!: mais coisas legais virão, muitas novidades esperam para dar as caras neste novo ano. E fica aqui um grande VIVA! para este Dia da Poesia, que também é todos os dias, e assim seja. Deixo então um poema-pão-quentinho pra este fim de tarde.

COISA

Tem coisa que me coisa.

Estava olhando pro azulejo e vi pássaros.

Ver folhas caindo me organiza em sorriso.

Tantas coisas a nossa volta,

nos volteiam as coisas querendo nos classificar,

ou sendo tão puramente coisas, como somos.

 

Verbo que qualifica o insignificável

e substitui todas as coisas.

Eu coiso, tu coisas: coisemos!

 

Os restos, os recém, os transitantes

transitam nossos caminhos e nós

transitamos no caminho das coisas.

 

Esta coisinha toda da vida que não sei classificar,

Tudo o que existe ou pode existir”

Me perpassa tudo, e

tudo é coisa.

 

tecelãs ateadas

Rosana Paulino - Kali. Desenho da série Tecelãs. Grafite e Aquarela sobre papel. 2003

Rosana Paulino – Kali. Desenho da série Tecelãs. Grafite e Aquarela sobre papel. 2003

em março o mar se abriu em fogo

 

as mãos de irene eram que só casca de ferida

os quartos de mary já não suportavam o tranco

sylvia tinha a garganta inflamada, sequer voz mais tinha

 

as horas se iam lentíssimas a fio

tramavam um destino desentranhado:

perfuraram o tecido grosseiro com linha encarnada

 

livres (d)os corpos, viraram fumaça

 

não brancas nuvens